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Depois da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão em 1929, vários países europeus se encontravam destruídos. A Alemanha derrotada, agravada pelos produtos da Paz de Versalhes – entre eles a perda de territórios e indenizações de bilhões de marcos à Entente -, se deparou com uma economia arruinada pela hiperinflação e com taxas altíssimas de desemprego. Nesse panorama de aparente descontrole, Adolf Hitler, chefe do partido nazista alemão, nunca teve tanto a seu favor: a chamada “fortuna” estava ali, disponível, à espera se uma iniciativa desse líder de origem austríaca e de seu governo de cunho autoritário. Esse mesmo governo pareceu ser a esperança da nação.

Hitler mostrou-se um governante virtuoso, ao implementar medidas que se tornaram bem sucedidas: diminuiu a taxa de desemprego de 6 milhões para 900 mil pessoas, aumentou em 112% o produto interno bruto nacional, dobrou a renda per capita, e elevou o lucro das empresas de 175 milhões de marcos para 6 bilhões. Tendo grande poder de persuasão por meio de discursos que atraíam milhões, Hitler conseguiu, representando a mistura de terror e empatia maquiavélicos (em sua real acepção do termo), manter o povo a seu lado.

O Führer, porém, errou. E não apenas uma vez. Mas o principal erro de Hitler foi confiar demais em suas atitudes virtuosas e supor uma fortuna que em determinado momento não existiu. A começar, seu antissemitismo expulsou cérebros geniais da Alemanha que poderiam ter sido úteis a ele, e não aos inimigos do regime: um deles, o judeu Albert Einstein, era proibido de ocupar qualquer cargo oficial, além de seus livros encontrarem-se na lista de queima e de ser um possível alvo de assassinato caso continuasse na Alemanha. Hitler seguia táticas intuitivas, indo contra conselhos de especialistas militares e, inicialmente, obteve vitórias maciças, indicando certo bom uso da fortuna. Acabou por deixar de lado suas decisões pautadas na virtude, culminando em desgraças a si próprio. Desde que se tornara chanceler e do início da Segunda Guerra, o Führer conseguira inúmeras vitórias, mas não ser um líder virtuoso em diversos momentos, ocasionou sua queda gradual.

O ápice foi a batalha de Stalingrado, em que sacrificou uma série de atitudes bem sucedidas e estabeleceu o caráter não-virtuoso do líder nazista. Em 1941, Hitler rompeu um pacto bilateral de não-agressão, assinado dois anos antes, ao invadir o território soviético. Além de ter (somente) lhe rendido um inimigo de caráter continental, o fator climático – que já um século antes ocasionara a queda do império napoleônico -,  foi fatal ao ser desconsiderado. Atacar o território em pleno inverno russo, direcionando tropas despreparadas contra outras já habituadas a um cenário extremamente desfavorável, foi um dos erros de Hitler. O inverno russo serviu como ponto de virada da frente leste aliada. Hitler não conseguia recuar e tampouco considerou as notificações de generais de suas tropas, que advertiam sobre a falta de condições que os soldados enfrentavam. A derrota tornou-se previsível. O Führer diversas vezes deixou de atender aos pedidos de alimentos e munição que chegavam de seu exército, e ignorou ameaças de desistência: quando o general Von Paulus reconhece que a batalha está perdida desobedece às ordens do Führer – de lutar até o último homem – e acaba se rendendo.

Hitler acreditava que seu patriotismo cego seria o mesmo de seus soldados, e suficiente para mantê-los em combate, esquecendo-se de forma muito tola as necessidades vitais. Hitler sentiu-se seguro demais, deixou-se guiar de forma ansiosa, cega, de pouca percepção ao que realmente necessitava foco. Tudo mera consequência de sua confiança e ambição desmedidas. O ego de Hitler fez com que sua virtude, tão presente e preciosa durante todos os anos da imposição de seu poder, se tornasse escassa e posteriormente nula, culminando em seu suicídio. Este ato foi a prova de que sua personalidade não permitiria a ele habitar um mundo em que suas regras e condições não predominassem. O fracasso e a ausência de virtude foram resultados do extremo de seu ego.

Texto por Carolina Costa, Isabella Menon, Luana Maria, Lucas Rubio, Natália Folloni e Priscila Bellini.